Potências e afetos se encontram no primeiro e irresistível álbum de Xenia França

Olaaaar cloclôs, tudo bem?

Quem me acompanha nos Stories do Instagram provavelmente já me viu postando algumas vezes esse clôsy no qual estou absolutamente viciada: o novo álbum da minha mygles poderosa Xenia França. Intitulado “Xenia”, esse é seu primeiro trabalho solo desde que começou a cantar e desde que passou a abrilhantar o projeto Aláfia, banda enorme da qual era a única voz feminina. A gente conversou sobre os atravessamentos todos desse trampo tão bonyto e, na minha opinião, obrigatório — aliás, conversar com Xenia é sempry ganhar vida! Vem comygo, clôs.

“Xenia” foi lançado no final do mês passado pelo Natura Musical, e já chegou chegany deixando todo mundo arrepiado por sua força e ao mesmo tempo sutileza, e é a realização de um objetivo que sempre existiu. “Eu sempre quis ter um disco, desde que eu comecei a cantar. Aconteceu agora por um processo natural, eu queria amadurecer mais, saber o que estava fazendo”, ela conta. “Com ele, sinto que realmente estou dentro do meu propósito musical”, diz a wygla, que explica que houve todo um processo de busca e autoconhecimento pra chegar nesse resultado. “Fiz meu ritual de passagem com ele e hoje, me vendo e vendo o resultado, realmente me tornei alguém que gostaria de ser, orgulhosa de meu trabalho e muito consciente do que tô fazendo”.

Importante ressaltar que Xenia é uma mulher, negra e baiana e isso reverbera em todo o seu trabalho, em cada nota e em cada sílaba. Sua política, no entanto, faz um caminho emocional e extremamente íntimo para chegar na luta: “Meu trabalho é muito focado em mim, no meu processo de autoconhecimento, é um disco muito emotivo, que aborda afetividades, relacionamentos, mesmo que políticos, mas por um viés mais emocional”. Explica. Ela conta que existe uma fragilidade grande no seu disco e que ela queria explorar essa ambiguidade que parte da impressão que muitas pessoas têm da mulher negra como fortaleza, que aguenta tudo. “Meu disco tem esse contraponto. É isso, mas também existe uma fragilidade. Eu queria que pessoas soubessem isso de mim, esse lado mais frágil, delicado.”

Tanta inspiração nas suas próprias estradas resultou num disco bem pessoal, mas que encontra eco e identificação no outro: “Fico muito feliz com isso [a recepção ao seu disco] porque é um processo individual e ao mesmo tempo coletivo, né? Da gente se olhar no olho, olharmos uns pros outros e vermos que a gente não está sozinho nessa”. Olha clôtyldos, se nessa altura da matéria vocês ainda não apertaram o play em “Xenia” pra entrar ainda mais no clyma desse lacry, estão esperando o quê?! Vamys sonorizar, materializar esse álbum que é de Xênia e acaba sendo do mundo, porque é sua vida, são seus ancestrais, são as mulheres de sua vida, e a partir disso se dá o encontro com quem escuta. “Eu não gosto muito de falar sobre ‘as mulheres negras’, porque são muitas subjetividades, tem muita gente diferente de mim mesmo sendo uma mulher negra, mas tenho consciência de que muitas pessoas têm se identificado muito com o disco”, encerra.

Single do disco, confesso que “Pra Que Me Chamas” é uma das minhas favoritas! E da musy Xenia também kkk! “É uma música que fala comigo e me afeta de diferentes formas, que amarra o conceito do disco… É como se eu estivesse olhando pra mim de fora, através dos olhos dos meus ancestrais”, justifica, explicando também que a mistura dos tambores baianos e sons cubanos (que ela tem amado explorar), os elementos eletrônicos e os temas da canção — como ancestralidade e apropriação cultural — a tornam muito potente (ayyy, me arrepio tody só de lembrar).

Claro que o som autoral de Xenia dialoga com suas muitas referências musicais, que a acompanham desde pequenyny, de artistas de nosso país Bahia a outros brasileiros, como Ilê Ayê, Olodum, Margareth Menezes, Edson Gomes, Gilberto Gil, Milton Nacimento, Elza Soares, gringos como Stevie Wonder, Whitney Houston, Aretha Franklin, Ella Fitzgerald e Billie Holliday… Mas a biw tem um amor, um ídolo em especial, para quem ela mantém até um altar em casa, e é verdade que eu já vi o altar hein, mygles: Michael Jackson! “Conheço todas as músicas, todas as camadas, de todos os álbuns!”, “especificamente para o disco foi uma grande inspiração”.

Eu sei que bateu forte no coração uma vontade de ver essa deusy executando suas canções ao vivo, e aqui vai a boa notícia: rola lançamenty do álbum no Auditório Ibirapuera nesse domingo, dia 15 de outubro, às 19h. Tô em Atlanta, mas vocês TEM QUE IR!!!

Eu tenho consciência de que a minha história não começa comigo e sim com a vinda de pessoas que foram escravizadas no Brasil pra que eu estivesse aqui, vivendo dessa maneira e conseguindo me autoafirmar e combater, inclusive, as coisas que me oprimem, através do meu trabalho, através da minha arte, tratando de maneira sensível, tentando olhar pra esse lugar com muito amor e tentando ter paciência comigo mesma pra poder achar os processos de cura”. Xênia

Fiquem com esse doc baphy que conta do processo de gravação de “Xenia”:

:)))

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