Um papo sobre PIXO

Hello mygles closeyros!

Bom, foram os últimos acontecimentos da cidade de São Paulo, onde moro, que me inspiraram a escrever esse post. Para quem não sabe, o nosso novo prefeito, João Dória, colocou em ação um programa chamado “Cidade Linda”, com o objetivo de apagar os grafites e pixos da Pauliceia. Close erradíssimo, wyglos, e o prefeito ainda faz disso tudo um grande espetáculo, comparecendo pessoalmente às sessões de “acinzentamento” da cidade e cobrindo os grafites e pixos com uma tinta cor de nada que é chorar de tão horrível. De lindo esse programa não tem nada, aff!

O primeiry local que Dória escolheu para a proeza (rysos) foi a Ponte Estaiada, cartão postal de São Paulo. Foi lá, apagou os grafite e pixo tudy e declarou guerra aos artistas de rua da nossa cidady. E aí que no último dia 17 a ponte amanheceu pixada em um de seus pontos mais altos! Sym, parece que estamos em guerra de tinta por aqui. E isso também significa muito textão de Facebook, muitos ânimos alterados e muita gente com opiniões irredutíveis sobre assuntos que desconhecem kkk. Verdady, né? Então eu achei que seria um lacry dar uma falada aqui especialmente sobre o pixo, essa manifestação que causa tanta discórdia e está envolvida em tanta desinformação.

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O bagulho é polêmico mesmo, porque não tem a intenção de agradar. Pelo contrário, o pixo é uma ação de afronta, que não busca uma estética aprazível aos olhos, não quer a autorização de ninguém para ser feita e carrega, no seu simbolismo, a ideia de retomada do espaço urbano, de devolver para a cidade aquilo que ela oferece de pior a essa galera que, em sua maioria, é da periferia, jovem e oprimida, e ao mesmo tempo de tomar de volta pedaços dessa urbe que parece querer expulsar dela quem não tá completamente inserido no sistema. Quando o wyglo sobe lá no alto pra pixar, ele não quer que você ache bonito, mas ele quer ser visto, usar da marginalidade para deixar de ser invisível.

Claro que não é uma coisa fácil de entender ou de aceitar para a maioria das pessoas, mas acho que rola uma coisa de se colocar totalmente contra a parada antes mesmo de entender minimamente o movimento. Como o prefeito de São Paulo metendo tinta cinza em tudy, é fugir do diálogo e querer que algo desapareça simplesmente porque é estranho ao seu universo. Mas não tem jeito, porque enquanto um pixo tá sendo apagado num lado da cidade, vários outros estão nascendo em outras partes. Sim, é um crime, sim, é transgressor, mas ao mesmo tempo os pixadores não ferem ninguém, enquanto com frequência levam porrada (já teve até caso de pixador assassinado por policial). O que vale mais, a parede ou a pessoa?

imagem do filme pixo

Imagem do doc “Pixo”

E aí tem outra questão que vive rondando esse universo, que quer definir se pixo é arte ou não (assim como um dia a mesma pergunta rondou o grafite). Muita gente já responde que não categoricamente, se baseando no fato de o pixo ser agressivo aos olhos, enquanto o grafite é bonito. Mas saibam que muitas galerias já abraçaram o pixo! O Cripta Djan, que é um pixador baphy de SP, já entrou pixando tudo na Faculdade de Belas Artes e na Bienal de São Paulo (lembram?), até que foi convidado junto aos parceiros que invadiram em SP para a Bienal de Berlim. Acabou que rolou desentendimento lá e até o curador saiu pixado! kkk. Mas Djan também foi convidado para uma mega exposição no Museu de Arte Contemporânea Fundação Cartier, em Paris, e lá ele teve todo o acolhimento para mostrar o seu rolê; pixou a fachada do lugar, com aval, e os parisienses piraram na linguagem. E aí, claro, rola outro debate pesado sobre uma tentativa de institucionalizar uma parada que é marginal na sua essência.

cripta djan por larissa zaidan VICE

Cripta Djan por Larissa Zaidan/VICE

Enfim mygles, só queria trocar uma ideia com vocês sobre esse assunto, porque eu vejo muita gente escolhendo um lado, definindo a própria opinião e batendo o pé sem nem mesmo se permitir um pouco de diálogo, um pouco de pesquisa sobre… E dá pra ver que tem MUITA coisa a ser explorada e discutida, né? Inclusive, aproveitando a deixa, indico o doc “Pixo”, do João Wainer. O filme é lacratyvo e mergulha nesse universo que parece tão incompreensível pra tanta gente.

Aqui tem um link com áudio!

“O pixo não veio pra apaziguar nada, esse é o papel: rachar opiniões, não ficar num lugar confortável”, Cripta Djan.

:)))

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